Momento de Inspiração repentina e minha relação com meus personagens

Bom, como não estou tendo tempo ultimamente para buscar coisas interessantes pela internet afora. Acho que vou ficar um tempo sem postar um "Follow Friday". Ao invés disso, vou falar um pouco do meu livro - ou dos meus livros, já que eu nunca escreve um de cada vez, hehe - que está quase pronto.




Ontem estava sentada estudando para o concurso público, quando de repente um pensamento me inundou o cérebro e me impediu de pensar nas matérias que eu deveria estar estudando. Meu livro, lá no fundo da minha memória semiconsciente, dizendo "Ei, não esqueça de mim. Eu quero nascer, ganhar vida e florescer".

Essa é um daqueles momentos mágicos na criação de um universo em que sua criação conversa com você. Meus personagens ganharam vida, me advertiram que eu estava me esquecendo deles e propuseram o roteiro de uma aventura para a tarde de ontem. Enfim finalizei a quarta parte do livro e estava satisfeita. Mas o que disseram meus personagens? "Volta aqui, a gente ainda não acabou." E ignorando completamente meu roteiro inicial, me levaram para um outro lado desse mundo que eu mesma criei. Me mostraram um outro ângulo, uma outra face.

Cheguei ao ápice da história. Como quando uma mãe percebe que seu filho cresceu e não precisa mais dela, sinto que meu livro pode cuidar de si mesmo. E tenho que ir me despedindo dos meus personagens. A última parte, e a mais esperada, não é tão difícil de ser criada. Mas é a parte mais difícil de ser escrita. Diferentemente da primeira parte, que é sofrida e penosa, principalmente porque você ainda está conhecendo os personagens e seu universo, a última parte é aquela em que tudo já foi dito e não há mais o que se criar.

É chegada a hora de dar o ponto final. Resolver os problemas. encaminhar sua criação ao mundo. E esperar que ela se saia bem nas adversidades. E torcer para que se destaque das demais.

Tive que me deter, saborear o momento e a sensação de chegar ao fim. Sabendo que depois de escrever a última palavra, aqueles personagens vão encarar uma viagem para além da imaginação de outras pessoas. E vão ganhar forma sob outras perspetivas.

É gratificante a sensação de concluir algo. Mas é melancólica a sensação de deixar ir. Meu livro vai viver em outras mentes e sem a minha manual interferência.

Jake dos Santos

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