• JaKe

O desafio da publicação independente

Todos aqui sabem que desde o ano passado estou trabalhando em uma série poética que pretendo lançar como uma revista chamada "Entre Flores e Cupcakes". E, olha, tem sido um desafio e tanto, viu? A revista que era para ser publicada já nessa primeira semana de janeiro, vai ficando para depois por uma série de imprevistos no processo.. Mas vou citar aqui algumas das maiores dificuldades que tive até agora.

Agora que estou no processo final, o que envolve a publicação propriamente dita, estou percebendo o quanto é difícil fazer as coisas sozinha. Publicar poesia no Brasil já é difícil. Falo dos autores ainda não descobertos pelo grande publico aclamador de Best Sellers ou daqueles que não conquistaram sua legião de fãs nas redes sociais. Imaginem publicar poesia sem a ajuda de uma boa editora?

Meu primeiro livro, "Cartas", foi publicado pela Editora Multifoco no ano de 2015. Dei um passo gigantesco e mesmo não tendo o trabalho de fazer a parte editorial já tive muitas dificuldades. Agora com essa série, que é mais um exercício do que um empreendimento, sou a única responsável por todas as etapas do processo. Desde a Edição do conteúdo até a Impressão.

A parte mais fácil na hora de publicar um livro é escrever. Depois vem a revisão do conteúdo. aí é que o "bicho pega"! Como já falei em vários vídeos - nem sei quantos - eu escrevi mais de quarenta poesias para essa série. Selecionar apenas vinte para fazer os vídeos foi um trabalho de quase dois meses. Depois de selecionadas as poesias passaram por um processo de edição, foram ilustradas e entraram na revista.

Aí chega a hora que é ao mesmo tempo divertida e desafiadora: a diagramação. Sabe quando você abre uma revista e fica "tipo: Oôhh". Então... Como deixar o leitor boquiaberto só pelo fato de olhar para seu livro. Essa é um desafio que designers e artistas têm diante de uma obra. Os diagramadores tem o meu respeito eterno por isso. Não é fácil. Principalmente quando não se tem aqueles programas 'fodásticos' que fazem coisas impressionantes com uma sequencia de frames e camadas.

Chegamos então à parte que judia de todo processo produtivo de qualquer natureza: as finanças. Sabe quanto custa um programa de edição vetorial? Pra lá de dois mil reais!!! Sabe quanto custa para registrar uma obra e deixá-la 'OK' para publicação? São cerca de trinta reais para os direitos autorais, mais oitenta para o ISBN, que é aquele número que permite que um autor ou editora comercialize seu livro. Acrescenta aí mais uns cem reais para confeccionar uma ficha catalográfica e você já tem cerca de duzentos reais apenas com os registros. Depois vem a impressão...

Bom, aí a gente chega na parte que pode ser mais flexível e vai variar de acordo com a qualidade que o autor ou a editora quer que o livro tenha. Mas uma revista impressa com materiais não tão caros não sai por menos de trinta reais cada. Isso aqueles periódicos que vendem aos milhares. Livros são vendidos ao preço mínimo de trinta e cinco reais levando em consideração padrões de materiais utilizados na confecção e que estes irão vender mais que trezentas cópias. Mas um autor independente ou uma editora pequena que está fazendo uma tiragem limitada de sua obra, seja um livro ou revista, não arriscaria uma quantidade tão ousada. E no meu caso até isso é um problema, porque mesmo que eu queira fazer uma tiragem pequena e limitada de minhas publicações, sempre encontro o obstáculo de que as gráficas não trabalham com quantidades inferiores aos duzentos e cinquenta exemplares de livros ou revistas. Há algumas exceções? Sim, claro! Mas são poucas.

Por essas e outras razões que publicar qualquer coisa, seja um livro ou revista demora tanto. E se você está se perguntando a quantas anda a minha revista, segue até a página da Série entre Florese Cupcakes para ver uma amostra.